Como a igreja investiga possíveis milagres? Entenda as etapas no caso da imagem de Nossa Senhora que fiéis dizem jorrar mel
Como a igreja investiga caso da imagem de Nossa Senhora que fiéis dizem jorrar mel? A imagem de Nossa Senhora de Fátima que, segundo devotos, verte mel há mais de 30 anos em Mirassol (SP) é alvo de uma investigação da Igreja Católica. Mas como funciona esse tipo de apuração? Quais são as etapas, o que os especialistas analisam e quem pode decidir se um acontecimento tem origem sobrenatural? ⛪ Nest
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Como a igreja investiga caso da imagem de Nossa Senhora que fiéis dizem jorrar mel?
A imagem de Nossa Senhora de Fátima que, segundo devotos, verte mel há mais de 30 anos em Mirassol (SP) é alvo de uma investigação da Igreja Católica. Mas como funciona esse tipo de apuração? Quais são as etapas, o que os especialistas analisam e quem pode decidir se um acontecimento tem origem sobrenatural?
⛪ Nesta segunda-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, a fé e a devoção marcam as celebrações de milhões de católicos. A devoção a Maria também está presente em outras representações, como Nossa Senhora de Fátima, associada às aparições relatadas em Fátima, em Portugal.
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Imagem da Nossa Senhora de Fátima, de proprietária de Mirassol (SP), jorra mel
Reprodução
A data também é uma oportunidade para entender como a Igreja Católica avalia relatos de possíveis fenômenos sobrenaturais associados a imagens religiosas.
Popularmente conhecida como Nossa Senhora do Mel, a imagem foi comprada por Lilian Aparecida Montemor em 1991, em Portugal. Em março de 1993, uma funcionária de Lilian percebeu que a imagem estava molhada e soltando lágrimas. Na sequência, ela começou a verter sal, mel e azeite e jorra mel de forma ininterrupta há mais de três décadas.
O fenômeno mobiliza fiéis de todo o país. A comissão é formada por um teólogo, um canonista, um perito, um notário e um delegado e visa atender às normas da Igreja Católica diante dos questionamentos. O processo da investigação segue normas estabelecidas pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão da Santa Sé responsável por avaliar relatos de supostos fenômenos sobrenaturais. No caso de Mirassol, uma comissão foi formada pela Arquidiocese de São José do Rio Preto (SP) para reunir informações e elementos que serão encaminhados ao Vaticano. Segundo Aparecido José Santana, advogado e integrante da comissão, a investigação começa oficialmente com um decreto do bispo ou arcebispo diocesano. Depois da formação do grupo, os membros estabelecem as diretrizes e os procedimentos que orientarão o trabalho, seguindo as normas da Igreja.
Imagem de Nossa Senhora de Fátima que jorra mel em Mirassol (SP)
Kelem Figueiredo/Divulgação
O que é investigado?
No caso da imagem de Mirassol, a comissão busca esclarecer três pontos principais: A origem da imagem;
A data exata em que o fenômeno teria começado e
A natureza da substância que, segundo os relatos, é expelida pela peça religiosa.
De acordo com Santana, são coletadas amostras dos líquidos e solicitada a análise de profissionais especializados. Os detalhes dos exames e os eventuais resultados, porém, não podem ser divulgados, uma vez que estão sob sigilo canônico. Imagem de Nossa Senhora de Fátima que jorra mel em Mirassol (SP)
Kelem Figueiredo/Divulgação
Quem decide se é ou não um milagre?
Embora seja responsável pela apuração inicial, a comissão local não tem competência para declarar que o fenômeno é sobrenatural. O mesmo vale para o arcebispo da região.
A função do grupo é reunir os dados, documentos, informações e pareceres técnicos em um relatório circunstanciado. Ao final dos trabalhos, o documento é encaminhado diretamente ao Dicastério para a Doutrina da Fé, no Vaticano.
Cabe à Santa Sé avaliar o material e decidir sobre o caso. Portanto, a existência de uma investigação não significa que a Igreja tenha reconhecido um milagre.
Primeiras impressões
A imagem já foi levada para análises científicas e o resultado foi inconclusivo. De acordo com o arcebispo de Rio preto, Dom Antônio Emídio Vilar, em 2021, uma análise feita em laboratório e encomendada pela igreja comprovou que o mel vertido por ela não existe na Terra, pois não é produzido por nenhuma espécie de abelha.
A imagem foi perfurada na Universidade de Campinas (Unicamp). Diante da análise, concluíram que era oca. Enquanto sozinha, a imagem não verte nada, somente quando há presença de pessoas. A investigação, conforme o arcebispo, busca unir o caráter "científico, doutrinário e pastoral".
Quanto tempo dura a investigação?
Não existe um prazo fixo para a conclusão desse tipo de processo. Segundo Santana, o tempo depende da complexidade do caso e da facilidade de acesso a informações, elementos materiais, documentos e testemunhas.
Como a investigação sobre a imagem de Mirassol segue sob sigilo, não foram divulgados detalhes que permitam estimar quando o relatório será concluído ou quando poderá haver uma manifestação oficial.
O que muda para os fiéis durante a investigação?
Apesar da investigação, a Arquidiocese informou que o arcebispo não orientou a suspensão da devoção ou a peregrinação até a imagem.
Enquanto não há uma decisão oficial, o fenômeno não pode ser apresentado como um milagre reconhecido pela Igreja Católica. O mel pode ser consumido e doado aos fiéis. Devido às inúmeras peregrinações, a imagem já precisou passar por alguns processos de restauração.
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