Quase metade das mortes no trânsito de SP envolve motociclistas; pressa nas entregas aumenta riscos
Em São Paulo, motocicletas circulam sobre calçadas, entre pedestres, e avançam o sinal vermelho. Globo/ Reprodução Nas cidades travadas pelo trânsito, os motociclistas se tornaram indispensáveis. Eles conectam empresas a clientes e transportam produtos que precisam chegar rapidamente ao destino. Mas especialistas alertam que nenhuma entrega vale o risco. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as pri
Conteúdo de G1 — ler no site de origem
Em São Paulo, motocicletas circulam sobre calçadas, entre pedestres, e avançam o sinal vermelho.
Globo/ Reprodução
Nas cidades travadas pelo trânsito, os motociclistas se tornaram indispensáveis. Eles conectam empresas a clientes e transportam produtos que precisam chegar rapidamente ao destino. Mas especialistas alertam que nenhuma entrega vale o risco.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Flagrantes registrados em diferentes capitais mostram práticas perigosas no trânsito. Em São Paulo, motocicletas circulam sobre calçadas, entre pedestres, e avançam o sinal vermelho. No Rio de Janeiro, há registros de conversões proibidas, motos na contramão e até de um motociclista digitando no celular enquanto atravessava a Ponte Rio-Niterói.
No Recife e na região metropolitana, diversos motociclistas utilizam as calçadas como se fossem ruas. Em um dos casos registrados, uma moto com duas pessoas colide com um carro que saía da garagem, bate em uma árvore e ainda atinge outras duas motocicletas.
Em Belo Horizonte e Salvador, motociclistas também foram flagrados usando passarelas de pedestres para cortar caminho.
O excesso de velocidade é a infração mais comum entre os motociclistas nas duas maiores cidades do país. Na cidade de São Paulo, o número de multas por trafegar acima da velocidade permitida aumentou 51% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. No Rio de Janeiro, a alta foi de 23%.
Motociclistas afirmam que a pressa para cumprir os prazos de entrega ajuda a explicar esse comportamento.
"A gente em duas rodas... vixe, leva comida aqui, leva comida ali, e assim que vai, né, mano", afirma o motofretista Sidney dos Santos.
Jader Generoso, que trabalha com entregas para plataformas de comércio eletrônico, também aponta a pressão por produtividade.
"Tem um certo tempo pra entregar. Se não entregar, fica complicado, entendeu?". A motocicleta é o veículo mais vulnerável do trânsito motorizado. De janeiro a agosto deste ano, 334 motociclistas morreram na cidade de São Paulo. É o maior número registrado para esse período desde 2015.
Dos 673 mortos em acidentes de trânsito na capital paulista, quase metade estava em motocicletas.
Segundo Antônio Meira, presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), os motociclistas enfrentam condições que aumentam significativamente os riscos.
"A vulnerabilidade do motociclista é de tal nível que sua letalidade em acidentes chega a ser 17 vezes maior do que a de ocupantes de automóvel (...) e o grau de traumatismo, a gente tem visto que, quanto maior a velocidade, maior a gravidade e maior a chance de ocasionar morte". Gabriel não tem dúvidas de que o excesso de velocidade foi determinante para a gravidade do acidente que sofreu e que resultou na amputação das duas pernas.
Naquele dia, ele havia combinado de ir a um churrasco com amigos.
"Eu vou na frente aqui pra chegar mais rápido, tá? Beleza. Fui. Fui chinelando, cortando tudo, lombada. Sinal vermelho, passei tudo", lembra. Richard Soares também admite que trafegava rápido quando voltava para casa com um amigo.
"A gente foi derrapando pra contramão e vinha um ônibus. Infelizmente, esse meu amigo faleceu na hora ali. Eu passei por debaixo do ônibus, a moto pegou fogo, me queimou, eu desmaiado". Especialistas em segurança viária afirmam que é preciso investir em educação e fiscalização para reduzir o número de acidentes.
Para Ana Carolina Nunes, diretora da associação Cidade a Pé, campanhas educativas precisam ser acompanhadas por ações efetivas de fiscalização.
"A campanha pode servir para uma sensibilização, mas não necessariamente vai ser o suficiente para alterar o comportamento. A fiscalização é uma forma de educação no trânsito também". Antes dos acidentes, Gabriel trabalhava como pintor e Richard como sushiman. Hoje, os dois enfrentam um longo processo de reabilitação e incertezas sobre o futuro.
"Eu falo ainda pros meus amigos, porque eu tenho muito amigo que anda de moto ainda: tenha prudência. Saiba o que você tá fazendo. Se você tem amor à sua vida, né... Eu quase perdi a minha". GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional
LEIA TAMBÉM