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Com ônibus de 19 anos nas ruas e frota acima da idade prevista, transporte de Campinas acumula quebras, atrasos e lotação

Frota antiga de ônibus em Campinas enfrenta quebras e prejudica passageiros O transporte público de Campinas (SP) opera há pelo menos cinco anos com uma frota mais velha do que a prevista em contrato. Dados obtidos pela EPTV via Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que a idade média dos ônibus está acima do limite de cinco anos desde 2021, e que há veículos de até 19 anos em circulação. De aco

Por Redação Publicado em 9 de outubro de 2026 às 15:14 5 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Com ônibus de 19 anos nas ruas e frota acima da idade prevista, transporte de Campinas acumula quebras, atrasos e lotação
Publicado originalmente por [fonte]

Frota antiga de ônibus em Campinas enfrenta quebras e prejudica passageiros

O transporte público de Campinas (SP) opera há pelo menos cinco anos com uma frota mais velha do que a prevista em contrato. Dados obtidos pela EPTV via Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que a idade média dos ônibus está acima do limite de cinco anos desde 2021, e que há veículos de até 19 anos em circulação. De acordo com as informações fornecidas pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), a idade média dos veículos era de 6,92 anos em 2021, e de 7,85 anos em agosto de 2026. O contrato do transporte coletivo estabelece, porém, que a idade média da frota seja de cinco anos no máximo, com limites de idade para cada categoria de veículo: até 8 anos para micro-ônibus e miniônibus

10 anos para ônibus convencionais 15 anos para articulados e biarticulados

Em meio ao envelhecimento da frota, passageiros relatam atrasos, lotação e quebras durante as viagens - assista no vídeo acima.

Relatos de passageiros

Passageiros relatam quebras, atrasos e lotação no transporte de Campinas (SP).

Reprodução/EPTV

Passageiros relataram que os problemas enfrentados diariamente incluem superlotação, atrasos frequentes e quebras de ônibus durante os trajetos. "Sai quatro horas do trabalho, chego sete horas na minha casa para fazer janta, para cuidar da minha vida. Não tenho vida, é só ônibus, só ônibus. Eu não canso trabalhando, eu canso andando de ônibus", disse a babá Juvelina Batista da Mota.

Para os usuários, além do tempo gasto nos deslocamentos, a imprevisibilidade do serviço se tornou parte da rotina.

"Tem dia que eu saio de casa às 6h10 e passa um monte de BRT-20 lotado que eu não consigo entrar. Eu chego atrasada. Tem dia que eu chego 8h30 lá", disse uma passageira. Frota envelhecida

Os números mostram que o sistema ultrapassa o limite contratual de idade média desde pelo menos 2021:

dezembro de 2021: 6,92 anos

dezembro de 2022: 7,47 anos

dezembro de 2023: 8,02 anos

dezembro de 2024: 8,19 anos

dezembro de 2025: 7,50 anos

agosto de 2026: 7,85 anos

Embora tenha havido uma redução da idade média em 2025, o índice continuou acima do máximo previsto no contrato.

Ônibus mais antigos

Com ônibus de 19 anos nas ruas e frota acima da idade prevista, transporte de Campinas acumula quebras, atrasos e lotação

Reprodução/EPTV

Os dados também mostram o avanço da idade dos veículos mais antigos em circulação:

dezembro de 2021: 15 anos

dezembro de 2022: 16 anos

dezembro de 2023: 17 anos

dezembro de 2024: 17 anos

dezembro de 2025: 18 anos

agosto 2026: 19 anos

Durante reportagem na região do Campo Grande, a equipe da EPTV encontrou um ônibus parado após apresentar problemas mecânicos. Documentos do veículo indicavam que ele havia sido fabricado em 2008, o que corresponde a 18 anos de uso em 2026.

O coletivo estava fora de operação após um problema relacionado ao óleo do motor. A equipe também verificou bancos rasgados, áreas com infiltração e trechos isolados dentro do veículo.

Como o ônibus não possuía um triângul de sinalização, o aviso na rua de que o veículo estava quebrado foi feito pelo motorista com um pneu.

Mais desgaste e maior risco de falhas

Com ônibus de 19 anos nas ruas e frota acima da idade prevista, transporte de Campinas acumula quebras, atrasos e lotação

Reprodução/EPTV

Segundo Ney Anderson Felippe, mecânico com mais de 30 anos de experiência no setor, o aumento da idade dos veículos está diretamente relacionado à ocorrência de falhas mecânicas.

"Quando o carro ultrapassa muito essa idade, acaba comprometendo a frota. E a grande demanda de quebra dessas coisas é justamente por causa disso. Por causa da idade média dos carros que hoje estão rodando muito alto", afirmou.

Ele explicou que o desgaste afeta componentes essenciais para a operação e a segurança dos coletivos: "O grande problema é desgaste com motor, câmbio, diferencial, suspensão, sistema de freio, sistema de direção".

O que diz a Emdec

Presidente da Emdec, Vinícius Riverete reconheceu que há veículos com idade acima dos limites previstos contratualmente e afirmou que as concessionárias são autuadas nesses casos.

"Tem veículo com 19, como eu disse. Esses veículos, contratualmente, a gente autua esses veículos, mas é uma questão de problema momentâneo. Nós estamos no final do contrato, estamos desde 2021 tentando fazer a licitação do transporte público", disse.

Segundo Riverete, a substituição enfrenta desafios, principalmente no caso dos ônibus articulados, pela dificuldade em encontrar veículos novos para repor dentro do sistema.

O presidente da Emdec afirmou ainda que a administração municipal vem renovando gradualmente a frota e que cerca de 100 veículos novos já entraram em operação neste ano.

Além disso, ele destacou que a renovação tem impacto financeiro sobre o sistema.

"Isso impacta no subsídio, porque há um investimento e o município precisa remunerar o operador por isso, então nós estamos gradativamente, na medida do possível, renovando a frota", relatou.

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