Novo edital eleva em R$ 1,2 bilhão valor previsto para concessão dos ônibus de Campinas; veja o que mudou
Prefeitura de Campinas diz que prepara novo processo de licitação para o transporte A Prefeitura de Campinas (SP) aumentou em R$ 1,26 bilhão o valor estimado da concessão do transporte público após revisar o edital da licitação, que teve o leilão anulado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) em agosto. O montante passou de R$ 11,8 bilhões para R$ 13,1 bilhões, uma alta de 10,6%.
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Prefeitura de Campinas diz que prepara novo processo de licitação para o transporte
A Prefeitura de Campinas (SP) aumentou em R$ 1,26 bilhão o valor estimado da concessão do transporte público após revisar o edital da licitação, que teve o leilão anulado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) em agosto. O montante passou de R$ 11,8 bilhões para R$ 13,1 bilhões, uma alta de 10,6%.
Segundo a administração municipal, o documento publicado nesta quinta-feira (8) atualiza os custos de peças, mão de obra, diesel, tecnologias e manutenção dos terminais, além de incorporar as adequações determinadas pelo tribunal.
A comparação entre os editais de dezembro de 2025 e outubro de 2026 mostra que a principal mudança está no valor previsto para a operação dos ônibus.
Também houve alterações nos preços usados para avaliar as propostas das empresas e nos investimentos estimados para os próximos 15 anos.
📊 Veja as principais mudanças:
Valor total da concessão: passou de R$ 11,8 bilhões para R$ 13,1 bilhões, alta de 10,6%.
Operação dos ônibus: valor estimado subiu de R$ 11,25 bilhões para R$ 12,47 bilhões.
Valor por quilômetro: no Lote Norte, o limite usado como referência para avaliar as propostas passou de R$ 11,14 para R$ 12,48, aumento de 12%.
Investimentos previstos: tiveram uma pequena redução, de R$ 1,948 bilhão para R$ 1,942 bilhão.
O novo leilão do transporte público de Campinas está marcado para 18 de dezembro, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.
O que ficou mais caro no novo edital?
Terminal Campo Grande em Campinas
Divulgação
A maior diferença está nos valores estimados para manter os ônibus em circulação durante os 15 anos de contrato, que poderão ser prorrogados por mais cinco.
O sistema continuará dividido em dois grupos de linhas, chamados de lotes. O Lote Norte reúne as regiões Norte, Oeste e Noroeste, enquanto o Lote Sul atende às regiões Leste, Sul e Sudoeste.
No Lote Norte, a tarifa de referência usada para avaliar as propostas das empresas passou de R$ 11,14 para R$ 12,48, aumento de 12%.
Já no Sul, o indicador teve pequena redução, de R$ 11,60 para R$ 11,59.
Questionada sobre as diferenças, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) explicou que os valores foram recalculados a partir da revisão de custos como combustíveis, mão de obra, manutenção e tecnologias.
Segundo a empresa, alguns componentes ficaram mais caros, enquanto outros tiveram redução de custos ou mudanças nas condições de utilização. Por isso, as variações não foram iguais nos dois lotes.
A Emdec também destacou que o valor total da concessão e o preço por quilômetro usado para avaliar as propostas seguem cálculos diferentes. Assim, um aumento no valor global do contrato não significa necessariamente uma elevação na mesma proporção no preço por quilômetro. Leia o posicionamento na íntegra no fim da reportagem.
Também houve aumento no valor estimado para os serviços de bilhetagem, gerenciamento e monitoramento do transporte, que passou de R$ 575,8 milhões para R$ 602,5 milhões. Esses serviços incluem a cobrança das passagens e o acompanhamento da operação.
Por que o leilão dos ônibus de Campinas foi anulado?
Prefeito de Campinas, Dario Saadi, bate o martelo em leilão de concessão do transporte público de Campinas
Fernando Evans/g1
O TCE-SP determinou, em agosto, a anulação dos atos praticados a partir da publicação do edital anterior, incluindo a apresentação das propostas e o resultado do leilão realizado em março. Os estudos preparatórios da concessão considerados válidos foram preservados.
A decisão ocorreu após o tribunal identificar irregularidades relacionadas às mudanças nas regras econômicas do edital, aos prazos concedidos às empresas e à análise das propostas.
Entre os problemas, o TCE-SP apontou que a Prefeitura alterou condições econômicas da disputa sem reabrir o prazo adequado para a apresentação de novas propostas.
A administração municipal havia concedido 15 dias corridos, enquanto o tribunal entendeu que deveria ter sido restabelecido o prazo de 35 dias úteis.
Com isso, a Sancetur e o Consórcio Grande Campinas, que haviam vencido a disputa, perderam a condição de vencedores.
📅 Quando será o novo leilão?
Segundo a Prefeitura, o novo cronograma garante 39 dias úteis para a elaboração e apresentação das propostas.
As empresas interessadas deverão entregar os envelopes com a documentação e as propostas em 11 de dezembro, das 10h às 12h, na B3. A abertura dos primeiros envelopes está prevista para as 12h30 do mesmo dia.
Já a sessão pública de abertura das propostas financeiras e o leilão serão realizados em 18 de dezembro, às 14h, também na B3, com transmissão on-line.
Após a escolha da melhor proposta, a Prefeitura ainda deverá analisar os documentos que comprovam se a empresa ou consórcio atende às exigências para assumir o serviço.
A administração municipal também informou que a remuneração das futuras operadoras estará vinculada ao cumprimento de metas de qualidade, como pontualidade, limpeza, acessibilidade e satisfação dos passageiros.
Até que os novos operadores assumam o serviço, os contratos atuais poderão continuar em vigor, conforme a prorrogação de até dois anos aprovada pela Câmara Municipal em abril.
O que diz a Emdec?
"As alterações nos valores globais estimados dos contratos e nas tarifas de remuneração utilizadas como referência para o julgamento das propostas decorrem da atualização da modelagem econômico-financeira da concessão. E consideram a revisão dos preços dos insumos, dos custos operacionais, dos investimentos e das demais premissas que compõem o estudo, incluindo mão de obra, combustíveis, peças e materiais de manutenção, tecnologias veiculares e operação e manutenção dos terminais.
Essas atualizações não ocorreram de maneira uniforme, uma vez que determinados componentes apresentaram elevação de custos, enquanto outros registraram reduções ou alterações em suas condições de utilização e participação na composição dos valores finais.
Além disso, o valor global estimado de cada contrato e a respectiva tarifa de julgamento são determinados por metodologias de cálculo e composições diferentes, de modo que as alterações das premissas econômico-financeiras não produzem, necessariamente, variações proporcionais entre esses indicadores.
Os percentuais de variação resultam do recálculo individualizado dos componentes da modelagem e de seus respectivos efeitos sobre o valor global estimado da concessão e sobre a tarifa de julgamento de cada lote. Assim, não correspondem à aplicação de um índice único ou uniforme de reajuste."
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